capa livro dos espíritos - Alan Kardec

Sobre o capítulo das Leis Morais, de O Livro dos Espíritos

| 0 comentários

capa livro dos espíritos - Alan Kardec

As leis Morais compõem o Livro Terceiro de O Livro dos Espíritos.

Foi Kardec que fez essa divisão ou classificação em dez leis, aprovada pelos Espíritos que responderam as perguntas, mas nada tem de absoluto, pois é apenas uma boa classificação.

Essas leis se referem ao comportamento humano, face às Leis Universais.

São elas: Trabalho, Reprodução, Conservação, Destruição, Sociedade, Progresso, Igualdade, Liberdade e Justiça, Amor e Caridade.

E dois complementos: Lei divina ou natural e Perfeição Moral.

Sendo derivadas das Leis Universais, retratam de alguma maneira todas elas, embora, por ajuda didática, possamos considerar que mais diretamente:

  • as lei do Trabalho, de Progresso, de Conservação, de Destruição, referem-se a Lei da Progressão dos Espíritos
  • as lei de Reprodução e de Sociedade referem-se a Leis da Reencarnação dos Espíritos
  • as lei de Igualdade, de Liberdade e de Justiça, Amor e Caridade referem-se as Leis de Livre Arbítrio e Consequências naturais
  • a lei de Adoração refere-se a existência do Criador, Deus

Embora, de forma indireta, estejam ligadas aos demais PrincípiosDoutrinários/Leis Universais, como por exemplo, a Lei de Sociedade envolve também a da Imortalidade dos Espíritos, da Mediunidade, da Influência dos Espíritos sobre os Encarnados, da Evolução, do Livre Arbítrio, das Consequências Naturais, da Ação dos Espíritos sobre os Fluidos, do Perispírito e da Erraticidade.

Nota-se que em alguns pontos a linguagem utilizada nesse Livro Terceiro, difere daquela dos Livros Primeiro e Segundo, denotando a participação de outros Espíritos e a dificuldade natural, no século XIX, da isenção e do desvinculamento dos conceitos religiosos vigentes, por parte, sobretudo, dos médiuns e de alguns desencarnados.

Aliás, nem tempo houve para que estudassem a fundo e se firmassem nos Princípios do Espiritismo, e entendessem a Vida sob essa ótica nova e revolucionária das idéias.

Podemos dizer que só agora, cento e cinquenta e tantos anos depois, começamos a ter suficiente maturidade espírita para distinguir formas de pensar que divergem das do Espiritismo, mas que ainda estão arraigadas em nossa estrutura mental.

Os espíritas que nos sucederam, lutaram pela implantação do Espiritismo, enfrentaram oponências e preconceitos, iniciaram estudos, fundaram as Casas Espíritas, fizeram a divulgação das idéias e acostumaram a sociedade com a existência dessa Doutrina que se baseia em um conjunto de Princípios muito específicos.

Agora é hora de vivenciarmos a filosofia e a ciência espíritas, como base da transformação moral natural e coerente, que queremos empreender.

É o Tripé que precisamos equilibrar, começando por entender e viver essa ciência filosófica; e agirmos como cientista experimental espírita, observando e trabalhando sobre as transformações que cada experiência produz, sejam boas ou não. Elas ocorrem em nossa forma de ser e agir, em nosso comportamento, ou melhor, na moral.

A base de entendimento espírita de moral, são os Princípios do Espiritismo, caracterizados pelos dois ensinos eternos de Jesus: amar ao próximo como a si mesmo e agir com os outros como gostaríamos que agissem conosco.

Que não haja estranheza, e nem falta de análise, em relação a algumas maneiras de expressar o pensamento, encontradas nessa parte de O Livro dos Espíritos, o que em nada diminui o conteúdo, que pode ser perfeitamente entendido e bem aproveitado.

Nosso critério de estudos é aplicar em todos os itens das Leis Morais o que já conhecemos sobre os Princípios/Leis Universais.

 

O Livro dos Espíritos – Kardec

629. Que definição se pode dar da moral?

“A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da lei de Deus.

O homem procede bem quando tudo faz pelo bem de todos, porque então cumpre a lei de Deus.”

Observe e analise que a lei de Deus, a que se refere essa resposta dos Espíritos da Codificação, não é a lei das igrejas e das tradições e sim as leis universais, as eternas, válidas em qualquer tempo. Elas compõem os Princípios do Espiritismo e as lições de Jesus. Cada Espírito as entende conforme possa e amadureça. Percebendo os desdobramentos e aplicações delas, vai melhorando sua conduta, distinguindo o bem do mal e evitando prejudicar a si e aos outros. Observe muito bem, que a resposta não indica que nos ponhamos de lado para cuidar dos outros, como pede a religião dogmática, que nos quer ausentes e bem distantes de nós mesmos, para sermos facilmente amedrontados e manipulados.

Deixe uma resposta

Campos requeridos estão marcados *.